O multiverso e imaginário Queer em "Vermelho, Branco e Sangue Azul"; "Heartstopper" e "Young Royals"
Multiverso
É impossível não perceber que o Charlie de Young Royals namora com o príncipe Henry de Heartstopper. Não, calma. Os casais Charlie e Nick; Simon e Wihelm; e Alex e Henry possuem inegavelmente características muito parecidas que poderiam muito facilmente serem uma mesma pessoa em universos diferentes.
Se você não acredita, então me diga de qual história estou falando. Um garoto LGBTQIA+ moreno se apaixona por um lorinho que dificilmente gostaria dele de volta, mas acaba que ficam juntos. Entretanto, esse lorinho não pode se assumir ainda porque tem medo e diversos obstáculos sociais.

Se ainda não estava convencido, depois dessas imagens dá para perceber que é inegável a similaridade.
Imaginário Queer
A construção das três obras audiovisuais seguem caminhos muito próximos na história de seus protagonistas, entretanto, a forma como lidam com os conflitos ou o nível de realidade variam.
Young Royals atualmente é a mais próxima da realidade geral, mostrando adolescentes em festas com drogas, envolvimento com vícios e a descoberta do sexo. Vermelho, Branco e Sangue Azul segue um caminho muito similar, mas ainda dentro de uma bolha elitizada.
Por mais que VBSA seja o mais longe da realidade financeira da maioria da comunidade LGBTQIA+ o casal ainda enfrenta conflitos, principalmente no livro, que qualquer casal passa para poder se entenderem e respeitarem os limites um do outro.
Entretanto, Heatstopper é de longe o romance mais açucarado. Ele tem mérito de trazer uma realidade dura sem pesar muito na mão e fazer os telespectadores sofrerem. Além de que o casal principal é muito artificial, sem conflito algum um com o outro. Essa escolha não é um problema! É importante terem romances fantasiosos para a comunidade LGBTQIA+ levando em conta que as obras para esse público são sempre trágicas em sua maioria.
É bom que personagens muito similares tenham séries com abordagens distintas para que o espectador queer possa ter todas as sensações possíveis. Tanto revoltar pela realidade de Young Royals quanto poder fantasiar em Heartsopper.
Para além da comunidade LGBTQIA+
Uma outra coisa importante das obras é a latinidade. Os personagens de Alex e Simon no centro desse protagonismo trazer para a América Latina como um todo uma identificação muito bonita. (Charlie, é visto pelos fãs como latino coded, visto que seu pai fala espanhol).
É de muito bom tom a representatividade de uma minoria tão marcante, principalmente mostrando-os como estrangeiros. Essa tentativa de concertar o que diversas propagandas pelo mundo fizeram com a imagem dos latinos é certeira.
Além de tentar arrumar esses problemas, a demostração da latinidade e do amor LGBTQIA+, soma de duas minorias, fazem com que esse recorte de pessoas percebam que tem direito a serem amadas e respeitadas.
Por: Pedro Augusto Fonseca




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