Heartstopper 2ª temporada - Review
Atualizado: 12 de ago. de 2023
Recapitulação Temporada 1:
Narrativa:
A jornada da hq até a adaptação do seriado é longa, mas Alice Oseman, escritore de Heartstopper, conseguiu trazer para as telas sua obra. A história acompanha um jovem gay, Charlie, que está envolvido em um relacionamento tóxico com Ben, não assumido. Ele percebe que a situação não é um ambiente saudável e acaba por começar a evitá-lo. Enquanto isso, conhece Nick, seu parceiro de estudos, com quem desenvolve uma ligação, decidindo até se juntar ao time de rugby em que ele faz parte para ficarem mais próximos.
Em um dos momentos em que está no vestiário sozinho, Ben aparece para tirar satisfação e o assedia, Nick aparece e intervém. E assim começa o desenvolvimento da série e o romance entre Nick e Charlie.
A primeira temporada foca no tema "ser aberto com os próprios sentimentos" e isso é visto em Elle, uma menina que mudou de escola tentando fazer amizades; Charlie aceitando que não gosta de verdade de Ben; Nick começando a entender o que sente por Charlie.
Fotografia e cor:
O efeito de parecer uma hq na série reforça a ideia de ser uma adaptação literária, o que agrada aos fãs. Momentos de frio na barriga com folhas desenhas cercando os personagens, transições com barrar de quadrinhos e assim por diante
A cor em heartsopper também é muito importante, considerando que representam Nick sempre vestindo ou com detalhe azul e Charlie de verde (amarelo também). Isso se estende ao longo da narrativa até o momento em que começam a se relacionar. Quando isso acontece, acaba que começam usar peças na paleta de cor um do outro intensificando essa conexão.
Temporada 2:
Narrativa:
O segundo momento dessa narrativa passa a tratar de temáticas mais profundas, mostrando a dificuldade de se assumir com Nick que sofre constantes ataques bifóbicos. Charlie mostrando os traumas que o relacionamento com Ben deixaram nele. E os demais personagens secundários, como Darcy e Tara, amigas do casal, enfrentando lesbofobia e a dificuldade de se assumir publicamente como um casal.
A história vai traçando caminho através do início do transtorno alimentar de Charlie e da preocupação de seu namorado com a situação que fica crítica quando desmaia durante a viagem de Paris.
A adaptação cinematográfica é verdadeiramente positiva e consegue trazer os elementos dos quadrinhos e elevar isso expandindo o universo com personagens que não existiam, como Isaac, que lida com as dificuldades de ser arromantico e assexual em um mundo em que romance e sexo tem protagonismo. E Imogen, que passa por dificuldade para encontrar um relacionamento saudável, tendo se relacionando igualmente com Ben.
Essa temporada foca na temática de "autoafirmação" acompanhando Nick se afirmando como bissexual; Tao, amigo de Charlie, mudando de personalidade para que Elle gostasse mais dele, o que dá errado pois ela prefere o antigo Tao; Tara dizendo que demorou para se aceitar como lésbica; Ben revelando que não consegue ser forte como Nick e Charlie para se assumir; e Charlie aceitando o fato de que Ben deixou marcas profundas nele que vão demorar a se curar.
Fotografia e cor:
Além dos efeitos de hq aprimorados de uma temporada para outra, a paleta de cores parece muito mais vibrante e chamativa. E retomando ao tema das cores de Nick e Charlie, no último episódio do baile reforça completamente as características do azul e verde. Ao longo da segunda temporada, quanto mais se aproximam como casal, mais utilizam a paleta de cores um do outro e isso tudo culmina na festa, onde os ternos em que usam são completamente inversos. Charlie usa azul e Nick usa verde mostrando o quanto o relacionamento de ambos evoluiu.
Crítica por Pedro Augusto Fonseca
Redator da coluna
Assistir Hearstopper sempre me pega de uma forma muito emotiva. A jornada de Charlie é uma trajetória que me identifico e sinto cada pedaço de dor dele, até mesmo quando subjetiva. Ele é muito resiliente e um personagem principal muito bem desenvolvido.
O elenco da série é muito bem selecionado e dá para perceber o amadurecimento da atuação da primeira para a segunda temporada. É impossível não se apaixonar por cada um dos personagens e atores.
Como fã da hq, percebo o quanto os cineastas estão preocupados em trazer cada detalhe e minuciosidade para as telas. E também em expandir esse universo sem que ofenda a obra original. A adapação da viagem de Paris não tem como ser dita como ruim, de forma alguma! É lindo ver isso sendo levado para a televisão da melhor forma possível.
Essa temporada eleva os artifícios da primeira, cada momento me pego dando um sorriso bobo ou até mesmo chorando. Dá para sentir os arrepios dos personagens, cada beijo, parece que o espectador está no lugar deles.
É uma conexão com uma obra que se destaca em todos os seus elementos. É um romancezinho clichê que não se dá por vencido e aborda temáticas sociais importantes, o que expande a narrativa.
Dentre diversas produções que mais parecem inflar o catálogo da Netflix, Hearstopper definitivamente não é mais uma delas. É uma joia rara do audiovisual. No aguardo para as últimas duas temporadas.
(Finalmente o Tao ajeitou aquele cabelo!)
Por: Pedro Augusto Fonseca




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